029 – A “morte” também faz parte da ilusão

Posted on 19 de janeiro de 2011

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É difícil falar sobre “morte”. Esse geralmente é um assunto do qual geralmente fugimos. Não gostamos nem de pensar a respeito. Estamos em uma cultura em que a morte é encarada como uma perda irreparável, sempre acompanhada de muito sofrimento, principalmente para quem fica. Afinal, numa primeira análise, a morte é muito mais que a perda de um emprego, ou o fim de um relacionamento. A morte é a interrupção, muitas vezes insperada, de todos os planos, de toda uma história de vida.
 
É triste, mas compreensível, ver que a nossa concepção da morte física é vista com tanta distorção. Mesmo que a literatura atual esteja repleta de informações valiosas sobre o que existe do outro lado, ninguém consegue se sentir seguro do que realmente acontece após a passagem.
 
Mas a realidade é que a morte física é um evento tão corriqueiro como uma troca de roupa. Morremos e nascemos incontáveis vezes através dos milênios. Mas como a consciência plena da nossa verdadeira essência nos é retirada quando entramos num veículo físico, acabamos por nos apegar ao nosso corpo atual, à nossa vida atual e às circunstâncias que nela se apresentam, como nossas carreiras, nossos amigos, parentes, e etc. Esse véu nos impede de lembrar que a nossa vida atual na matéria é uma minúscula fração da nossa existência, e que estamos aqui apenas para passar por experiências passageiras e aprender algo com elas. Em última análise, as coisas às quais tanto nos apegamos não significam quase nada.
 
Em textos anteriores já fiz um paralelo da vida na matéria com uma peça de teatro e com o filme Matrix. Uma outra comparação muito interessante seria com um jogo de videogame. Num jogo, o caracter passa por inúmeros obstáculos, tendo como objetivo chegar ao final de etapas, no fim das quais conseguimos “zerar o jogo”. Para conseguirmos zerar esse jogo, muitas vezes “morremos”, e então recomeçamos, tentamos de novo, e vamos assim ganhando experiência em cima dos obstáculos apresentados até que eles não ofereçam mais desafios e consigamos ir mais além. Conforme vamos ficando experientes e passando por determinadas etapas, não precisamos mais começar da primeira fase e repetir os obstáculos que já superamos com excelência. Começamos então de fases intermediárias (como checkpoints) que apresentem desafios novos ainda não ultrapassados.
 
Do mesmo modo que vamos ganhando experiência com o nosso caracter, por meio de inúmeras jogadas, sabendo aproveitar cada vez melhor seus recursos, o nosso Eu Superior “usa” incontáveis vidas físicas para acumular experiências com o objetivo da evolução espiritual. Para esse fim, vivemos e morremos repetidamente, sempre com um caracter diferente, com recursos diferentes, e nos são apresentados vários obstáculos, que são reapresentados até que não precisemos mais passar por eles. A morte física nada mais é que um simples game over, que não impede que o jogo recomece, muitas e muitas vezes. A nossa inquietação vem da falta de consciência de que existe a possibilidade desse recomeço, assim como o caracter do jogo de video game não sabe que ele terá outra chance.
 
Mudando um pouco o foco. Se um parente, cuja personalidade é exemplar, sofre um acidente mortal aos 30 anos, deixando sua mulher, filhos, uma carreira promissora para trás e inúmeros planos a realizar, logo questionamos a justiça de Deus. Por que uma pessoa tão boa mereceria morrer assim tão cedo? O que ela fez de tão ruim?
 
O fato é que nossa indignação e desespero só existe devido à nossa percepção extremamente limitada do todo. Para a consciência que voltou para a vida espiritual, a carreira, os planos, os investimentos em estudos e todo o resto pouco importam. Foram apenas aspectos do papel que ela viveu na sua experiência na matéria. Em um determinado momento depois da passagem, ela se torna consciente de que sua encarnação foi planejada e que a mesma terminou de acordo com o que foi definido no seu contrato de vida, antes mesmo do seu nascimento no corpo físico. (Obs: essa lucidez pós morte pode não acontecer em casos em que o espírito ainda não atingiu níveis compatíveis de consciência. Mas o assunto é extenso e não vou me aprofundar nisso nesse texto).
 
Ao nos depararmos com a morte de parentes ou amigos, precisamos começar a nos lembrar que a “perda” é uma ilusão. Precisamos nos lembrar o que a morte realmente significa, para que a sensação da “separação irreparável” não nos incomode tanto. Por mais que o fato nos faça sentir saudades e nos assuste um pouco de início, precisamos nos apoiar nos conhecimentos que nos dão a certeza de que esse é um acontecimento corriqueiro, natural, e que não deveria ser visto com tanta preocupação.
 
Para finalizar o assunto, seria interessante comentar que um dos aspectos mais interessantes sobre o salto quântico que estamos prestes a dar é o fim do ciclo reencarnatório da maneira como o conhecemos. Todos aqueles que tiverem alcançado, durante as encarnações deste ciclo, um determinado patamar de evolução, passarão para uma nova etapa de aprendizados onde não existirá mais o véu entre a consciência integral e o nosso corpo físico.
 
Até a próxima.
Maria Bianca

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Posted in: Textos