036 – Aspectos positivos e negativos das religiões

Posted on 27 de julho de 2011

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Muitos de nós, nas nossas inúmeras encarnações na Terra, experimentamos as mais diversas culturas, frequentamos as mais diversas religiões, experenciamos os mais diversos pontos de vista. As religiões fazem parte da nossa história e do nosso aprendizado como seres em evolução. Com a reunião de tantas experiências, que se somam na nossa memória consciencial, o caminho natural é aguçarmos, a cada passagem pela Terra, o nosso discernimento com relação à verdade. É comum, nesse estágio, acontecer de frequentarmos várias linhas religiosas numa mesma vida sem encontrarmos respostas que nos satisfaçam, percebendo com inquietação as distorções impressas pelo homem em cada filosofia. Nos damos conta, então, que o conhecimento que procuramos não está na religião em si, e começamos a busca-lo dentro de nós, definindo nosso próprio rumo. Percebemos que a ligação com Deus é muito mais uma questão de autoconhecimento do que da aceitação passiva de informações externas.

A necessidade em nos agarrarmos a uma religião reflete a vontade do ser humano em entender o motivo da vida – o que somos, de onde viemos, pra onde vamos – e em se religar novamente com a fonte, com Deus. Sentimos, desde cedo, que existe muito mais do que nos é apresentado na vida material e nos sentimos impelidos a correr atrás do que existe por trás de tudo isso. A religião aparece como uma resposta fácil e acessível para essa busca. Infelizmente, as instituições religiosas são entidades controladas e administradas pelos homens, e acabam muitas vezes refletindo a natureza egóica do ser humano. Adicionalmente, a elite do mundo identificou na religião uma maneira perfeita de controlar a humanidade, uma vez que percebeu que as regras impostas pela Igreja eram aceitas sem questionamento pelos buscadores sedentos de respostas prontas. E assim configurou-se o aspecto perigoso e maléfico das religiões, onde um grande rebanho, atormentado pelo medo e pela culpa, é mantido em cega obediência, imposta por um Deus de aspectos humanos, que sente ira e desejo de vingança.

Entretanto, esse assunto foi sempre alvo de muita polêmica. Vários textos sobre 2012 falam da religião como um grande mal da sociedade, o que é na verdade uma generalização exagerada e injusta. Hoje, quando ouvimos “Igreja Universal”, pensamos em enriquecimento ilícito, manipulação da fé. Ao ouvirmos “Igreja Católica”, pensamos em pedofilia e controle da sociedade pelo medo. Ouvimos “Umbanda” e pensamos em magia negra, sacrifício de animais. Mas precisamos tomar cuidado com as generalizações, pois nem todo muçulmano é extremista; nem todo islâmico é terrorista; nem todo ateu é contrário às leis de Deus. Cada igreja, seita ou filosofia têm dentro delas o positivo e o negativo em todos os seus níveis, assim como são os seres humanos. Assim, ao mesmo tempo que as religiões, em vários aspectos, representam um mal à sociedade, pode-se dizer que elas fazem um papel muitas vezes essencial no caminho evolutivo de várias pessoas.

Muito do que foi ensinado pelos grandes mestres que passaram pela Terra foi distorcido, muitas vezes propositalmente, pelos homens. Mas, independentemente da linha filosófica, existem líderes e instrutores iluminados que sabem discernir quais os verdadeiros ensinamentos dos mestres, e dão aos seus fiéis e seguidores grandes lições de amor, incentivando-os da maneira certa a fazer aflorar o divino que existe dentro de cada um, por meio de ensinamentos corretos e livres de imposições do medo. Quantos movimentos maravilhosos existem nas igrejas católicas, que promovem ensinamentos de caridade, compaixão, amor ao próximo. Quanta ajuda acontece nos Centros Espíritas, instruindo a humanidade sobre o outro lado da vida e trabalhando aspectos invisíveis aos nossos olhos materiais. Quantos pastores iluminados existem nas Igrejas Evangélicas, que ensinam multidões a seguir os caminhos corretos, a prática do bem. E assim é com cada uma das religiões, doutrinas e linhas filosóficas.

Ou seja, o aspecto mandatório das nossas vidas é o discernimento. Tudo na vida tem facetas demais para simplesmente negar ou aceitar sem questionamento. Ou seja, não importa qual religião cada um de nós frequenta. Não importa se não frequentamos nenhuma. O importante é questionar se o caminho no qual estamos inseridos é o que nos faz sentir leves, satisfeitos, felizes e livres de pressões externas. O importante, também, é saber que as informações passadas por quem quer que seja podem não estar sintonizadas com a verdade, e que cada um de nós é livre pra poder nega-las. Qualquer coisa que nos faz mal, nos faz sentir medo, nos faz sentir culpados, devemos questionar. Tendemos a procurar externamente por várias respostas que estão, na verdade, dentro de nós. Se existir dedicação e vontade autêntica em fazer o bem, acabamos encontrando as respostas e achando o caminho. Se existe a intenção de fazer o bem, podemos e devemos acreditar mais em nós mesmos do que em qualquer mandamento externo.

No fim das contas, o grande mandamento da nossa vida, acima de todas as religiões, é sermos felizes e fazermos os outros felizes. Ou, em outras palavras, “Amar ao próximo como a si mesmo“.

Então, não precisaremos nos preocupar tanto quando as “religiões” desmoronarem num futuro próximo, pois nossa ligação com Deus é independente delas. O que vai desmoronar são as distorções feitas pelos homens, as regras de manipulação, a fumaça que se ergueu em tonro das verdades originais. O que vai emergir daí será, por fim, o que estivemos procurando esse tempo todo.

Até a próxima.

Maria Bianca

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